Categoria: extensão

  • Bolsa PIBEX – seleção bolsista Pimentalab

     

    1 Bolsa para atuar no Pimentalab junto aos Projetos:

    Detalhamento dos projetos abarcados pela atuação do bolsista:
    http://prototype.pimentalab.net
    http://extensao.milharal.org
    http://cienciaaberta.ubatuba.cc

    Criado em 2010 como um grupo de pesquisa e extensão, o Pimentalab (Laboratório de Tecnologia, Conhecimento e Poder) tem realizado diversas ações e projetos com o apoio da Unifesp, das agências de fomento à pesquisa e extensão (editais CAPES/PIBID 2012-2013, MEC/ProExt 2013 e 2014), e mediante o engajamento voluntário de estudantes e demais colaboradores.

    O foco de nossas ações extensionistas está orientado para o desenvolvimento de práticas de produção colaborativa de conhecimentos e apropriação crítica e criativa das tecnologias digitais. Como será detalhado adiante, desenvolvemos metodologias, pesquisas e práticas organizacionais para realizar ações de pesquisa participativa e intervenções socioculturais junto ao público extra-universitário (agentes culturais, professores, coletivos e organizações sociais) mediante a utililização das tecnologias de comunicação digital em suas múltiplas linguagens (fotografia, video, audio, cartografia, web).

    Em 2015 daremos continuidade aos projetos de extensão implantados em 2014 (“Conhecimentos Locais e Tecnologias Digitais” – edital MEC/ProExt 2014; e Plataforma Sociotécnica), que estarão articulados a dois projetos de pesquisa-extensão interinstitucional recentemente aprovados. Os bolsistas estarão
    envolvidos nas ações dos seguintes projetos (as ações de cada bolsista serão detalhadas adiante):

    [1] Pimentalab: conhecimentos locais e tecnologias digitais (cadastrado no SIEX no final de 2012 e executado em 2013 e 2014 com recursos do MEC/PROEXT). O registro das ações realizadas estão publicamente disponíveis em: http://extensao.milharal.org Este projeto de extensão articula-se ao seguinte projeto de pesquisa e extensão: [1.1] Ciência Aberta e Desenvolvimento Local: projeto sob coordenação do IBICT/UFRJ e com apoio do OCSDnet/Canadá. Mais informações: http://ocsdnet.org/grantwinnersarticles/ibict-instituto-brasileiro-de-informacao-em-ciencia-e-tecnologia-okbr-open-knowledge-brasil-participating-institution/#sthash.ZeNORdWF.dpuf

    [2] Plataforma Sociotécnica Pimentalab: desenvolvimento, instalação e implantação de um servidor web de gestão comunitária. O projeto original está disponivel em: https://extensao.milharal.org/software-livre-e-seguranca/plataforma-sociotecnica-pimentalab/ Este projeto de extensão implementará um protótipo de rede de servidores entre universidades públicas. Tal percurso exigirá construção metodológica para gestão compartilhada entre diversos atores e
    formação em aspectos técnicos. São ações convergentes com o projeto de pesquisa-extensão: [2.1] Intersecções entre pesquisa, ação e tecnologia: Rede Latino‐Americana de Estudos sobre Vigilância, Tecnologia e Sociedade/LAVITS. Projeto sob coordenação da UFRJ e apoio da Fundação Ford.

    Atividades do Bolsista:

    As ações dos bolsistas estão distribuídas em duas linhas de objetivos:

    [1] No ambito do Projeto “Plataforma Sociotécnica Pimentalab” pretendemos integrar projetos de pesquisa e extensão baseados na utilização de tecnologias de informação e comunicação e oferecer suporte adequado para ações de ensino, pesquisa e extensão já em andamento. Neste sentido, os bolsistas irão colaborar nos seguintes objetivos específicos:

    *Estimular a utilização de tecnologias que promovam a liberdade de comunicação, conhecimento, segurança e privacidade.
    *Mapear as tecnologias utilizadas por grupos sociais específicos.
    *Colaborar para a implantação e manutenção de um servidor web para a hospedagem de projetos científicos e sociais, acadêmicos e extra-acadêmicos.
    *Promover a criação de redes de colaboração entre pesquisadores e a sociedade civil.
    *Promover o desenvolvimento organizacional com vistas a estabelecer uma metodologia de gestão compartilhada do servidor web.

    [2] No âmbito do Projeto “Ciência Aberta e Desenvolvimento Local” nosso objetivo é desenvolver de maneira reflexiva práticas científicas-educacionais que se efetivam através de experimentos de pesquisa-ação voltados à produção colaborativa de conhecimentos locais apropriando-se criativamente das tecnologias digitais de comunicação em suas múltiplas linguagens (principalmente visuais). Aqui, os bolsistas atuarão na realização dos seguintes objetivos específicos:

    *Promover a utilização de tecnologias livres voltadas à pesquisa social aplicada.
    *Realizar oficinas de capacitação e disseminação do público extra-universitário nas metodologias e tecnologias utilizadas.
    *Realizar pesquisas colaborativas junto às comunidades interessadas na produção de pesquisas locais.
    *Realizar a documentação multimídia e a sistematização pública dos conhecimentos produzidos.

    Período de vigência da bolsa:

    de 01/08/2014 a 30/12/2014 (6 meses).

    Carga Horária Semanal: 16 horas.

    Valor da Bolsa (4 bolsistas): R$400,00.

    Requisitos e indicadores para classificação:

    (a)alunos regularmente matriculados no curso de Ciências Sociais, História, Letras, Filosofia, Pedagogia ou História da Arte;

    (b)bom desempenho acadêmico e interesse em atividades de pesquisa;

    (c)interesse na utilização intensiva de tecnologias de informação e comunicação;

    (d)capacidade para trabalhar coletivamente: autonomia, colaboração, planejamento em equipe, escuta, participação ativa, capacidade de sistematização e compartilhamento de informação.
    (e)conhecimentos técnicos básicos de informática e motivação para o aprendizado de novas softwares e tecnologias de comunicação.

    (f) familiaridade com os projetos, tecnologias e atividades  desenvolvidas pelo Pimentalab.

    (g)tempo disponível conforme carga horária proposta;

    (h)não acumular o recebimento de outra bolsa (exceto bolsas de auxílio social).

    Processo de Inscrição:

    O candidato deverá se inscrever por e-mail enviando uma mensagem:

    [para] opensocialsciences@gmail.com

    [assunto] PROEXT-Pimentalab

    Anexar à mensagem:

    (a)Nome, telefone e email para contato;

    (b)Cópia do histórico escolar atualizado (pode ser a versão online);

    (c)Proposta de trabalho que gostaria de desenvolver tendo em vista os objetivos e eixos temáticos descritos acima (até 2 páginas).

    Cronograma da inscrição e seleção:

    Inscrição via email: até 6/7/2015

    Resultado: 7 de julho de 2015.

     

  • Tropixel – Dia 1 – Hardware Científico Aberto

    Tropixel – Dia 1 – Hardware Científico Aberto

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    Hoje, segunda, tivemos o primeiro dia de atividades do Tropixel Ciência Aberta, a primeira parte da oficina de Hardware Científico Aberto. Guima-san e Gina Leite contaram sobre o interessantíssimo projeto Infoamazônia (http://infoamazonia.org/pt/about/), em especial sobre o piloto que estão desenvolvendo no rio Tapajós, medindo a qualidade da água entregue às comunidades. Para quem se interessar, o áudio da apresentação está aqui:

    https://archive.org/details/infoamazonia-tropixel-2015

    Depois, Guima falou sobre sensores com hardware aberto e sua aplicação em projetos de monitoramento ambiental. Contou algumas experiências bem interessantes do Public Lab (http://publiclab.org/) e mostrou vários sensores de baixo custo. Mais tarde, todos os participantes – na maioria alunos da Etec – começaram a montar seus próprios sensores de condutividade elétrica da água.

    A oficina continua nesta terça-feira no auditório da Etec (Unitau), e vocês estão todos convidados. Vamos pegar algumas amostras de água para testar os sensores e devemos também trabalhar com documentação, outros tipos de sensores e replicabilidade das experiências. Queremos ainda planejar alguma ação para desenvolver durante o Lab #mozsprint que acontece nos dias 4 e 5 – talvez fazer saídas de campo para coletar diversas amostras de água na cidade, ou algo parecido.

    A oficina é aberta e gratuita. Só aparecer por lá!

  • Seleção de bolsista Pimentalab

    Seleção de bolsista Pimentalab

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    Seleção de um(a) estudante Bolsa de Extensão – edital ProExt – 2014

    Pimentalab: conhecimento local e tecnologias digitais

    Apresentação

    O Pimentalab é um laboratório de práticas sociais que objetiva integrar experiências de ensino, pesquisa e extensão. Atuamos em questões relacionadas à crescente mediação das tecnologias digitais na vida social, tendo em vista as transformações nos processos de produção de conhecimentos e nas dinâmicas sociopolíticas.

    [conheça um pouco do projeto neste site]

    Ao promover usos alternativos das tecnologias de informação, investigamos como os processos sociais adquirem configurações específicas através das mediações técnicas, observando tanto as dinâmicas micropolíticas e os modos de subjetivação como as inter-relações com o contexto sociopolítico mais amplo.

    Em nossas atividades a utilização das tecnologias de informação está orientada por uma concepção de apropriação tecnológica em que os sujeitos são provocados a reconhecer as dimensões sociopolíticas inscritas nesses dispositivos, incentivando-os à uma utilização criativa que supera, portanto, o uso meramente instrumental desses recursos. Ao combinar diferentes suportes e linguagens na realização do projeto, em especial a fotografia, vídeo, texto e a cartografia, tanto na web como em dispositivos móveis, pretendemos dinamizar formas de conhecimento e expressão em que os saberes estéticos-sensíveis cotidianos articulam-se aos saberes teóricos-abstratos. Tal abertura é fundamental para que possamos reconhecer e dar existência tangível a novos conhecimentos e práticas sociais locais.

    Para isso, o projeto realiza diversas atividades (oficinas, eventos, pesquisas) de experimentação e difusão de tecnologias digitais. Em suma, trata-se de desenvolver experiências em que possamos investigar as transformações na relação saber-poder em contextos específicos, tendo como vetor de análise a mediação sociotécnica em sua dupla dimensão tecnopolítica e tecnoestética.

    Seleção para o Edição 2014 ProExt/MEC

    Os bolsista do ProExt deverá participar da criação, implementação, acompanhamento e suporte de diferentes atividades promovidas pelo Pimentalab. Na edição 2014 a realização de oficinas e eventos (conforme apresentação acima) pretende convergir com dois outros objetivos: implementar uma plataforma digital com aplicativos para uso público e constituir uma rede social (e digital) de colaboração com um público específico. Os estudantes selecionados poderão atuar em dois eixos temáticos: (1) tecnologia e processos sociopolíticos; (2) ensino de sociologia e formação de professores.

    Atividades a serem desenvolvidas

    (1)formação e pesquisa temática;

    (2)criação e manutenção de banco de dados;

    (3)capacitação técnica no uso de softwares livres;

    (4)alimentação contínua do sistema de gestão e avaliação;

    (5)gestão financeira do projeto;

    (5)sistematização e publicação das informações na plataforma online do projeto;

    (6)realização de oficinas e atividades de campo;

    (7)participação nas atividades de planejamento do projeto;

    (8)participação nos seminários de estudos do grupo de pesquisas.

    (9)produção de relatórios.

    Período de vigência da bolsa:

    de 01/09/2014 a 30/12/2014 (4 meses).

    Carga Horária Semanal: 16 horas.

    Valor da Bolsa (4 bolsistas): R$400,00.

    Requisitos e indicadores para classificação:

    (a)alunos regularmente matriculados no curso de Ciências Sociais, História, Letras, Filosofia, Pedagogia ou História da Arte;

    (b)bom desempenho acadêmico e interesse em atividades de pesquisa;

    (c)interesse na utilização intensiva de tecnologias de informação e comunicação;

    (d)capacidade para trabalhar coletivamente: autonomia, colaboração, planejamento em equipe, escuta, participação ativa, capacidade de sistematização e compartilhamento de informação.
    (e)conhecimentos técnicos básicos de informática e motivação para o aprendizado de novas softwares e tecnologias de comunicação.

    (f) familiaridade com as tecnologias e atividades já desenvolvidas pelo Pimentalab.

    (g)tempo disponível conforme carga horária proposta;

    (h)não acumular o recebimento de outra bolsa (exceto bolsas de auxílio social).

    Processo de Inscrição:

    O candidato deverá se inscrever por e-mail enviando uma mensagem:

    [para] opensocialsciences@gmail.com

    [assunto] PROEXT-Pimentalab

    Anexar à mensagem:

    (a)Nome, telefone e email para contato;

    (b)Cópia do histórico escolar atualizado (pode ser a versão online);

    (c)Carta de motivação em atuar no Pimentalab e descrevendo suas habilidades e interesses de pesquisa e atuação (até duas páginas);

    Cronograma da inscrição e seleção:

    Inscrição via email: de 11/08/2014 a 27/08/2014.

    Entrevistas e seleção: de 27 a 29 de agosto de 2014.

  • Curso – sociedade e tecnologias digitais

    Curso – sociedade e tecnologias digitais

    A partir de agosto de 2014 ofereço a segunda edição da disciplina Sociedade e Tecnologias Digitais no curso de Ciências Sociais da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Unifesp/Guarulhos. O programa do curso anterior está disponível na Wikiversity, onde construímos e documentamos todo o percurso da disciplina – https://pt.wikiversity.org/wiki/Sociedade_e_Tecnologias_Digitais/2012

    O curso é oferecido como disciplina eletiva para estudantes da EFLCH/Unifesp e como curso de extensão para professores de sociologia da rede pública ou educadores/agentes socioculturais.

    Inscrições como curso de extensão:

    Período: 14/7/2014 a 31/7/2014.

    Vagas limitadas (o número pode variar conforme o número de estudantes regulares no curso).

    Formulário de inscrição: https://docs.google.com/forms/d/1XGMkkOlYUJLSof-yM7UsHo3zmz0QYeeom0hauZi0DF4/viewform?usp=send_form

    Critérios de seleção:

    (1) adequação ao perfil (professor e/ou educador com vínculo em escola, organização social).

    (2) manifestação de interesse.

    (3) ordem de inscrição.

    Resultado inscrição: 11/08/2014.

    Início curso: 27/08/2014 (presença inicial exigida para confirmação de interesse).

  • Encontro – Educadores e Agentes Socioculturais – Tecnologias, Educação e Pesquisa Social

    Encontro – Educadores e Agentes Socioculturais – Tecnologias, Educação e Pesquisa Social

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    O Pimentalab realizará no dia 31 de maio um encontro dedicado à elaboração de um programa de formação no uso de tecnologias digitais. Para além das oficinas destinadas à apropriação crítica e criativa das tecnologias digitais na confluência de práticas educativas, pesquisa ou intervenção social, esperamos que esses encontros contribuam para o fomento de uma rede de colaboração expandida e aprendizagens mútuas. Nossa expectativa é fazer já neste primeiro encontro um experimento de formação, planejamento e mão-na-massa (ou melhor, nas máquinas).

    Público participante: educadores, professores do ensino médio (sociologia, história, geografia e filosofia), agentes sociais e culturais.
    Local: Unifesp/EFLCH – Guarulhos
    Dia: 31 de maio de 2014
    Horário: 9hs às 13hs.

    Inscrições: até 26 de maio.
    Enviar email para: pimentalab-extensao@riseup.net
    Com as seguintes informações:
    (1) nome, email e telefone para contato
    (2) breve apresentação e qual o interesse e motivação.

    Dispomos de vagas limitadas tanto pelo espaço que será utilizado como pelas possibilidades do trabalho em grupo.

    Para conhecer mais sobre nossas ações visite:
    http://extensao.milharal.org
    http://blog.pimentalab.net
    http://ensinosociologia.pimentalab.net

    Aqui, um exemplo de uma das oficinas que realizamos com professores em 2013: https://extensao.milharal.org/atividades/professores-rede-publica-2013/

  • Artigo 15 e economia da vigilância: Marco Civil da Internet

    Artigo 15 e economia da vigilância: Marco Civil da Internet

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    O inicio de 2014 foi marcado por uma grande mudança no cenário dos direitos da Internet no Brasil. Há meses paralisado, o projeto do Marco Civil da Internet [1] – constituição brasileira de direitos e deveres sobre a rede em territórios pertencentes ao Estado, numa tacada única que durou pouco mais noventa dias, foi finalizado, analisado, votado no congresso, votado no senado e por fim sancionado pela presidenta em exercício Dilma Rousseff [2]. Um alívio para todos os ativistas que, durante anos, lutaram por sua consolidação e um golpe para aqueles que estavam de olho no crescimento da economia da vigilância. Dado esse contexto, eis alguns pontos de analise do que isto pode representar.

    ___

    Na Austrália, durante os anos de 2011 e 2012, o cenário político-legislativo e as pressões sobre os temas ligados a privacidade e segurança digital eram bem próximos aos do Brasil. Isso acabou por motivar a resistência de uma série de ativistas e culminou na realização da primeira idéia de Cryptoparty [3] do mundo. Discursos e projetos de lei em ascensão que de certa forma impunham a guarda de logs e quebra de privacidade aos usuários da rede foram estopins para essa discussão e esse embate.

    A história parece se repetir em solo brasileiro, mas com cores e desfechos diferentes e apresenta características sintomáticas dada a observação das contradições presentes. Há menos de duas semanas do dia em que o Marco Civil foi finalmente sancionado, mantendo em seu texto aprovado um artigo que condiciona e obriga o armazenamento de acessos dos usuários, houve uma grande CryptoParty neste mesmo solo, talvez a maior de que se teve notícia até o momento, reunindo mais de 2 mil pessoas para discutir e vislumbrar panoramas exatamente opostos ao que estaria por vir.

    O artigo 15 e a guarda de logs: vigilância e controle

    Guardar logs, em outras palavras, significa registrar dados de usuários, manter uma base de dados permanente ou temporária com informações e registros capturados em tempo real.

    No Marco Civil da Internet isto é tratado na subseção III, que diz da “Guarda de Registros de Acesso a Aplicações de Internet na Provisão de Aplicações”, pelo artigo 15. Nele está posta a obrigatoriedade, em termos da lei, da manutenção de registro de acesso dos usuários pelo prazo mínimo de 6 meses por todo e qualquer provedor de aplicações de internet constituído sob forma de pessoa jurídica. Traduzindo em outras palavras, isto significa que todo serviço de hospedagem de sites, de modo prévio e sem necessidade de informar ao usuários, terá obrigatoriamente de guardar informações de acesso de usuários em um banco de dados próprio que poderá ser solicitado a qualquer momento por um órgão jurídico brasileiro.

    Neste caso são os “serviços de segurança” que aparelham o Estado os beneficiários diretos, e por consequência, o próprio Estado no exercício do poder de controle e coerção que se fortalecem. Para o professor Sérgio Amadeu, “a guarda de logs resulta principalmente no controle biopolítico dos cidadãos”, evocando assim numa análise foucaultiana o caráter perverso que uma simples condição como essa pode gerar no tecido social.

    O sistema jurídico passa a ter mais poder e controle sobre a vida dos cidadãos, numa intencionalidade clara de vigilância para punição, gerando um novo paradigma de administração da vida com enlaces sobre a dimensão digital, que até então não estava regulamentada.

    Se por um lado o argumento da “insegurança” diz falsamente que contraventores estão na internet cometendo crimes e que guardas logs “protege” a sociedade contra estas ações, por outro, fica evidente que no mundo analógico estes fatos acontecem sem a internet e ninguém, numa democracia, monitora a vida dos cidadão dessa forma. Crimes são cometidos todos os dias, muito mais fora da Internet do que dentro dela. A Internet só reflete coisas do mundo físico. O que pode estar para além disso, então?

    O artigo 15 e a guarda de logs: mercadoria

    A guarda de logs funciona também comercialmente, em ações próprias e deliberadas, em uma série de serviços. Desde call centers telefônicos até empresas aéreas, passando pela maior parte de serviços gratuitos de comunicação ou de busca de informação na rede.

    Está muitas vezes ligada também ao “direito do consumidor”, quando por exemplo, uma ligação telefônica é gravada. É o “direto do consumidor” em tese, nestes casos, que pode estar em jogo. Uma informação histórica de uma conversa entre um vendedor e um consumidor por vezes é usado como prova de que o consumidor fez determinadas solicitações a uma empresa. Vivemos numa época em que complexos contratos jurídicos são assinados por um aceite verbal. Quando a empresa ou o consumidor incorrem no não cumprimento de contratos, muitas vezes essas ligações podem ser usadas em processos judiciais. O problema aí está na imposição da gravação e no uso que se faz dela. O sujeito-consumidor não escolhe sobre o registro, a guarda deste áudio é feita por procedimento padrão.

    Em paralelo a este uso jurídico-contratual existem outras formas mais exploradas de uso. No caso, por exemplo, de companhias aéreas, sites de busca, redes sociais proprietárias, lojas virtuais, etc, o modelo de negócio, isto é, uma grande parte ou a totalidade da exploração comercial é baseada na criação de grandes bancos de dados de acesso dos potenciais consumidores.

    A extração de mais-valia [4], neste caso, é direta e implica na venda desta informações. E indireta numa segunda camada com o uso publicitário dessas informações. Consiste esse funcionamento, já atual e largamente praticado em escala por toda parte, no coração operacional da mercadoria moderna dentro do capitalismo cognitivo [5]. Para estas empresas e modelos de negócio, a guarda de logs é uma vantagem econômica, uma parte essencial de seu processo de geração de lucros, uma condição aplicada para acelerar e aprofundar a criação de desejos de consumo.

    Colocado esse patamar, podemos inferir com bastante clareza que o artigo 15 está presente no Marco Civil da Internet não apenas por questões de descuido ou por animosidades de cibersegurança, mas também e sobretudo pelo forte apelo de alguns modelos de negócio sobre o poder político. Indiretamente a guarda de logs servirá de base para a ampliação destes usos onde o controle está a serviço de uma economia.

    Os indivíduos são transformados inevitavelmente em produtos quando a guarda de logs é involuntária. Ainda que nesse caso a lei só disserte diretamente sobre o aspecto do controle para um entendimento de “segurança social”, há uma indução indireta que caminha para outros usos e para a transformação dos acessos sensíveis em dados ricos exploráveis mercadologicamente. A exploração comercial está totalmente fora do alcance ou do controle do indivíduo, tornando-o alienado na origem, por assim dizer, numa relação onde o trabalho implícito é realizado sem evidência aparente.

    A obrigatoriedade da guarda supõe uma futura regulamentação, mas mesmo a mais simples regra vai certamente impor guarda de ips, hora de acesso, geolocalidade e possivelmente outros dados como tempo de permanência, páginas visitadas, conteúdos observados, etc. A manutenção de bancos de dados com estas informações vão gerar custos a quase todos os proprietários de sites. Em alguma medida, vale afirmar aqui que a publicação de conteúdos na internet vai ficar mais cara para pequenos empreendedores, jornalistas, cooperativas e outros arranjos de grupos sociais que utilizam a internet como forma de disseminar informações e conteúdos.

    A guarda de logs instaura, portanto, um mecanismo de vigilância em massa permanente e vulnerabiliza fortemente o cidadão comum, deixado-o a mercê de qualquer solicitação jurídica destes dados, atacando seus direitos de liberdade e privacidade.

    No mundo analógico, se quisermos fazer o exercício de pensamento, seria como se uma pessoa tivesse de prestar contas, involuntariamente, de cada jornal que compra numa banca de jornal, de cada livro que lê numa biblioteca, de cada disco que escuta numa loja. É a vigilância completa e autorizada na Internet. E quem ficaria responsável pela guarda dessas informações, no exemplo que estamos tomando, seria um intermediário – provedor de aplicações de internet – que observaria o jornaleiro, o livreiro ou “o dono da loja” e seus respectivos clientes. Imaginem viver num mundo onde toda pessoa que para em frente a uma banca de jornal tem que ter seu nome e endereços anotados numa caderneta por esse intermediário. Isso não só causaria um grande transtorno para o jornaleiro como inibiria todos de pararem para observar. No caso da guarda de logs o exemplo continua válido: muitos provedores, especialmente os de pequeno porte, terão de contratar mais pessoas ou outras empresas só para executar esse serviço.

    Um outro aspecto que tange ao mercado é a destituição da possibilidade de negócios pautados em fornecimento de serviço de hospedagem segura e/ou anonima. Imagine que uma determinada empresa queira oferecer aos seus clientes um serviço hospedagem de sites anonimo, isto é, sem guarda de logs, sem registros de navegação, sem retenção de qualquer dado sensível. Isso poderia ser bem útil no caso de um site sobre jornalismo investigativo, por exemplo. Um usuário se sentiria mais seguro em enviar uma denúncia com provas para um site destes do que para um site no qual ele estaria sendo traqueado. Com o artigo 15 esse tipo de negócio fica proibido no Brasil.

    Resistência

    Grupos sociais organizados preocupados com estas questões desde o princípio da concepção do primeiro pré-projeto do Marco Civil estiveram engajados em informar, elucidar e divulgar diversos prognósticos de análise sobre a guarda de logs e outros pontos conflitantes da lei.

    Até o último minuto antes do sancionamento houve uma tentativa de informar o Congresso, o Senado e Presidência da República sobre a armadilha destes aspectos contidos no texto. No entanto, estas tentativas falharam uma vez que determinados acordos políticos entre os partidos que estão atualmente no poder vislumbraram a necessidade de manutenção do Artigo 15.

    Uma carta assinada por diversos destes grupos, explicitando o conflito legal e as implicações econômicas, foi entregue em mãos à presidenta Dilma Rousseff, a qualreproduzo aqui [6]. Esse esforço não redimiu a coalização de forças já previamente acertada e por fim a lei foi sancionada da maneira como estava, isto é, como o Artigo 15.

    Cabe-nos então uma última questão para debruçar: existem possibilidades de resistência, dado esse cenário que parece destituir o cidadão comum de qualquer direito de intervenção? Vamos ter de descobrir a resposta e os caminhos nos tempos que virão, tomando muito mais cuidado, pois a partir de agora todos nós estamos cercados e vigiados por força da lei.

    [3] A cryptoparty, ou cryptofesta, é um novo tipo de evento que surgiu no mundo durante o ano de 2012. Mixando elementos de eventos de tecnologia com hábitos típicos de qualquer festa, jovens começaram a se juntar para fazer um evento em favor da privacidade e da segurança digital, com foco em criptografia e anonimização dos dados. Este movimento teve inicio na Australia, país onde a época as forças do Estado estavam prestes a implementar leis anti-privacidade para todos os cidadãos. Em questão de horas o movimento auto-organizado em prol das criptofestas ganhou força. Cidades como Sidney, Nova York e Berlin foram as pioneiras. Depois dos escandalos de espionagem provocados por revelações do Wikileaks e Edward Snowden, sobre os governos dos Estados Unidos e Grã Bretanha, a ideia de disseminar conhecimentos tecnológicos para impedir a intrusão em massa ficou forte. Rapidamente a iniciativa se espalhou por diversas cidades na Europa e hoje o evento é realizado em mais de 500 cidades do mundo, muitas vezes simultaneamente. No Brasil a primeira CriptoFesta aconteceu em Salvador, em Outubro de 2013. Logo depois houve uma edição em São Paulo e uma outra em Porto Alegre. No inicio de 2014, a comunidade organizadora do evento resolveu fazer uma criptofesta ainda maior, com 24 horas de duração, chamada de cryptorave.

    [4] Em linhas gerais, o termo mais-valia é o nome classicamente empregado, numa perspectiva sócio-política Marxista, da diferença entre o valor final de uma determinada mercadoria produzida e a soma do valor dos meios de produção e do valor do trabalho, que seria a base do lucro no sistema capitalista.

    [5] Capitalismo cognitivo, também chamado capitalismo cognitivo-cultural ou terceiro capitalismo, entendido como uma fase posterior ao mercantilismo e o capitalismo industrial, é uma teoria centrada nas mudanças socioeconômicas provocadas pelas tecnologias da Internet e da Web 2.0, as quais têm transformado o modo de produção e a natureza do trabalho. Nessa fase do capitalismo – correspondente ao trabalho pós-fordista – haveria maior geração de riqueza comparativamente às fases anteriores, e o conhecimento e a informação (competências cognitivas e relacionais) seriam as principais fontes de geração de valor. A teoria do capitalismo cognitivo tem sua origem na França e na Itália, especialmente nos trabalhos de Gilles Deleuze e Felix Guattari (Capitalismo e Esquizofrenia), de Michel Foucault (sobre o nascimento do biopoder) e nos conceitos de império e multidão, elaborados por Michael Hardt e Antonio Negri, e também no movimento italiano marxista autonomista que tem suas origens ligadas ao operaismo italiano dos anos 1960. Outro teórico de referência que escreveu sobreo tema foi o economista francês Yann Moulier Boutang. Seu livro “Capitalismo Cognitivo” analisa a mudanças econômicas da atualidade e aponta quais seriam as características principais deste sistema.

    [6] http://www.felipecabral.com.br/wp-content/uploads/2014/04/oficio_presidencia_mci.pdf

    Via Felipe Cabral. 

  • Seleção Bolsista Pimentalab

    Seleção Bolsista Pimentalab

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    Seleção de Bolsistas de Extensão para o edital ProExt – 2014

    Pimentalab: conhecimento local e tecnologias digitais

    Apresentação

    O Pimentalab é um laboratório de práticas sociais que objetiva integrar experiências de ensino, pesquisa e extensão. Atuamos em questões relacionadas à crescente mediação das tecnologias digitais na vida social, tendo em vista as transformações nos processos de produção de conhecimentos e nas dinâmicas sociopolíticas.

    Ao promover usos alternativos das tecnologias de informação, investigamos como os processos sociais adquirem configurações específicas através das mediações técnicas, observando tanto as dinâmicas micropolíticas e os modos de subjetivação como as inter-relações com o contexto sociopolítico mais amplo.

    Em nossas atividades a utilização das tecnologias de informação está orientada por uma concepção de apropriação tecnológica em que os sujeitos são provocados a reconhecer as dimensões sociopolíticas inscritas nesses dispositivos, incentivando-os à uma utilização criativa que supera, portanto, o uso meramente instrumental desses recursos. Ao combinar diferentes suportes e linguagens na realização do projeto, em especial a fotografia, vídeo, texto e a cartografia, tanto na web como em dispositivos móveis, pretendemos dinamizar formas de conhecimento e expressão em que os saberes estéticos-sensíveis cotidianos articulam-se aos saberes teóricos-abstratos. Tal abertura é fundamental para que possamos reconhecer e dar existência tangível a novos conhecimentos e práticas sociais locais.

    Para isso, o projeto realiza diversas atividades (oficinas, eventos, pesquisas) de experimentação e difusão de tecnologias digitais. Em suma, trata-se de desenvolver experiências em que possamos investigar as transformações na relação saber-poder em contextos específicos, tendo como vetor de análise a mediação sociotécnica em sua dupla dimensão tecnopolítica e tecnoestética.

    Seleção para o Edição 2014 ProExt/MEC

    Os bolsistas do ProExt deverão participar da criação, implementação, acompanhamento e suporte de diferentes atividades promovidas pelo Pimentalab. Na edição 2014 a realização de oficinas e eventos (conforme apresentação acima) pretende convergir com dois outros objetivos: implementar uma plataforma digital com aplicativos para uso público e constituir uma rede social (e digital) de colaboração com um público específico. Os estudantes selecionados poderão atuar em dois eixos temáticos: (1) tecnologia e processos sociopolíticos; (2) ensino de sociologia e formação de professores.

    Atividades a serem desenvolvidas

    (1)formação e pesquisa temática;

    (2)criação e manutenção de banco de dados;

    (3)capacitação técnica no uso de softwares livres;

    (4)alimentação contínua do sistema de gestão e avaliação;

    (5)gestão financeira do projeto;

    (5)sistematização e publicação das informações na plataforma online do projeto;

    (6)realização de oficinas e atividades de campo;

    (7)participação nas atividades de planejamento do projeto;

    (8)participação nos seminários de estudos do grupo de pesquisas.

    (9)produção de relatórios.

    Período de vigência da bolsa:

    de 01/06/2014 a 30/12/2014 (7 meses).

    Carga Horária Semanal: 16 horas.

    Valor da Bolsa (4 bolsistas): R$400,00.

    Requisitos e indicadores para classificação:

    (a)alunos regularmente matriculados no curso de Ciências Sociais, História, Letras, Filosofia, Pedagogia ou História da Arte;

    (b)bom desempenho acadêmico e interesse em atividades de pesquisa;

    (c)interesse na utilização intensiva de tecnologias de informação e comunicação;

    (d)capacidade para trabalhar coletivamente: autonomia, colaboração, planejamento em equipe, escuta, participação ativa, capacidade de sistematização e compartilhamento de informação.
    (e)conhecimentos técnicos básicos de informática e motivação para o aprendizado de novas softwares e tecnologias de comunicação.

    (f) familiaridade com as tecnologias e atividades já desenvolvidas pelo Pimentalab.

    (g)tempo disponível conforme carga horária proposta;

    (h)não acumular o recebimento de outra bolsa (exceto bolsas de auxílio social).

    Processo de Inscrição:

    O candidato deverá se inscrever por e-mail enviando uma mensagem:

    [para] opensocialsciences@gmail.com

    [assunto] PROEXT-Pimentalab

    Anexar à mensagem:

    (a)Nome, telefone e email para contato;

    (b)Cópia do histórico escolar atualizado (pode ser a versão online);

    (c)Carta de motivação em atuar no Pimentalab e descrevendo suas habilidades e interesses de pesquisa e atuação (uma página);

    (d)Proposta de trabalho que gostaria de desenvolver tendo em vista os objetivos e eixos temáticos descritos acima (até 2 páginas).

    Cronograma da inscrição e seleção:

    Inscrição via email: de 13//05/2014 a 23/05/2013.

    Entrevistas e seleção: de 27 a 30 de maio de 2014.

    Resultado: 2 de junho de 2014.

  • Razões para usar o Open Street Map

    Razões para usar o Open Street Map

    Toda vez que eu falo para alguém sobre o OpenStreetMap, a pessoa inevitavelmente me pergunta: “Por que não usar o Google Maps?” De um ponto de vista prático, é uma pergunta compreensível, mas, em última análise, não é uma questão de praticidade, mas da reflexão sobre o tipo de sociedade na qual nós queremos viver. Eu discuti este assunto numa palestra que dei em 2008, no primeiro encontro MappingDC. Aqui estão muitos daqueles conceitos, mas expandidos.

    No começo do século XIX, as pessoas tinham problemas com o tempo. Não com a falta de tempo: a questão era saber que horas eram, mesmo. Os relógios existiam, mas cada cidade ou vila tinha sua própria hora, “a hora local”, que era sincronizada pelos relógios da cidade ou, mais frequentemente, pelos sinos das igrejas. Aos poucos, a hora da ferrovia e, então, a Hora Média de Greenwich suplantaram completamente a hora local, e a maioria das pessoas, hoje, sempre pensa nas horas como universais. Isto se deu, nos EUA, pela adoção pelas estradas de ferro e, depois, das universidades e grandes negócios.

    O dilema dos tempos modernos é a geografia e todos estão procurando pela fonte definitiva. O Google gasta, anualmente, US$1 bilhão para manter seus mapas, e isto não inclui o US$1,5 bilhão gasto na compra do Waze. O Google está longe de ser a única empresa tentando ser dona de todos os lugares: a Nokia comprou a Navtek, e a TomTom e a Tele Atlas se fundiram. Todas essas empresas querem se tornar a fonte definitiva para mostrar aquilo que está na face da Terra.

    Porque saber o que está nos territórios se tornou um grande negócio. Com GPS em todos os carros e um smartphone no bolso de cada uma das pessoas, o mercado de mostrar onde você está e aonde ir se tornou uma disputa feroz.

    Com todas estas empresas disputando o nicho, por que precisamos de um projeto como o OpenStreetMap? A resposta é simples: na sociedade, nenhuma empresa deve ter o monopólio dos lugares, assim como nenhuma empresa tinha o monopólio das horas no começo do século XIX. Os lugares são recursos compartilhados, e quando você dá todo esse poder a uma única instituição, ela pode não só mostrar a sua localização, mas formatá-la também. Em resumo, há três preocupações: quem decide o que aparece ou não nos mapas, quem mostra onde você está e aonde você deve ir e a privacidade pessoal.

    Quem decide o que aparece no Google Maps? A resposta é, obviamente, o Google. Eu ouvi esta preocupação num encontro com um governo local em 2009 — eles estavam preocupados por usar o Google Maps no seu site porque o Google escolhe que estabelecimentos mostrar. Eles estavam certos em se preocupar com esta questão, já que o governo precisa se manter imparcial e, usando mapas de outros, eles entregam o controle disso a terceiros.

    Parece inevitável que o Google monetize buscas geográficas, seja com resultados premium ou alterando a ordem das prioridades, se é que eles já não fazem isso (por exemplo: é apenas uma coincidência eu procurar por “café da manhã” perto de casa e o primeiro resultado ser “lanchonetes SUBWAY®”?).

    A segunda preocupação é sobre a localização. Quem define onde um bairro fica ou onde você deve ou não ir. Esta questão foi levantada pela ACLU, apontando um provedor de mapas que dava rotas (instruções para quem estava dirigindo/andando/pedalando) e usava, como parte do algoritmo, o que eles determinaram ser bairros seguros ou perigosos. Isto traz uma questão: quem determina o que torna um lugar seguro ou não? Além disso, seguro pode ser apenas uma palavra-chave para algo mais sinistro.

    Agora mesmo, o Flickr está coletando informações sobre bairros, baseadas em fotos analisadas através de uma API. Eles usam estas informações para sugerir tags para suas fotografias, mas é possível alterar informações de limites de um bairro de um jeito sutil para afetar qualquer coisa, de padrões de trânsito a preços de aluguel. E quando um provedor de mapas se torna grande demais, ele vira a fonte da “verdade”.

    Por fim, estes provedores de mapas têm um incentivo para coletar informações sobre você de maneiras que você pode não concordar. Tanto Google quanto Apple coletam informações sobre sua localização quando você usa os serviços deles. Isto pode ser usado para melhorar a precisão dos mapas, mas o Google já anunciou que vai monitorar a correlação entre buscas e lugares onde você vai. Como mais de 500 milhões de smartphones Android, essa é uma enorme quantidade de informação individual sobre os hábitos das pessoas, estejam elas dando uma voltinha, no caminho para o trabalho, indo ao médico ou talvez comparecendo a uma manifestação. Nós não podemos ignorar as implicações sociais de tantos dados nas mãos de uma única entidade, não importa o quão benevolente ela diga ser. Empresas como o Foursquare usam ludificação (também conhecida como gamificação, nome dado à prática de usar mecânicas de games em coisas que não são exatamente games) para encobrir o que é essencialmente um processo de coleta de dados em larga escala. O Google decidiu entrar jogo com o Ingress, um game que sobrepõe um mundo artificial sobre o mundo real e encoraja usuários a reunir dados de rotas e fotografias em mapas para lutar contra ou ajudar uma invasão alien.

    Agora que identificamos os problemas, vamos examinar como o OpenStreetMap resolve cada um deles.

    Em termos de conteúdo, o OpenStreetMap é neutro e transparente. Ele é um mapa wiki que qualquer um pode editar. Se está faltando uma loja no mapa, ela pode ser adicionada, seja pelo dono ou até mesmo por um consumidor. Em termos de exibição (renderização), cada pessoa ou empresa que cria um mapa está livre para renderizar como quiser, mas o mapa principal do OpenStreetMap.org usa software FLOSS (Free/Libre Open Source Software, que quer dizer “software livre e de código aberto”) para renderização e qualquer um pode utilizá-lo. Em outras palavras, quem estiver interessado pode criar seus próprios mapas usando os dados já existentes.

    Da mesma maneira, os apps de rotas mais populares para o OpenStreetMap também são FLOSS e, mesmo que uma empresa escolha um software de outro tipo, o usuário está sempre livre para usar o que quiser, e seria fácil comparar os resultados de trajetos para encontrar anomalias.

    Por fim, com os dados do OpenStreetMap, um usuário está livre para baixar alguns ou até mesmo todos os mapas. Isto significa que é possível usar os dados sem estar conectado nem precisar dar sua localização para ninguém.

    O OpenStreetMap respeita a comunidade e respeita as pessoas. Se você ainda não é um colaborador, considere contribuir. Se você já contribui, muito obrigado.

     

    Este artigo foi originalmente publicado no blog de Serge Wroclawski, e reproduzido aqui sob licença Creative Commons. Você pode segui-lo no Twitter @emacsen.

    Utilizamos a tradução feita pelo http://gizmodo.uol.com.br/analise-openstreetmap/

    Aqui você aprende a usar o Open Street Map Tracker para Android https://extensao.milharal.org/2013/03/21/tutorial-registro-do-percurso-com-gps-como-usar-openstreetmap-tracker-para-android/

  • Seleção Bolsistas Pimentalab – 2014

    Seleção Bolsistas Pimentalab – 2014

    Seleção de Bolsistas de Extensão para o edital ProExt – 2014

    Pimentalab: conhecimento local e tecnologias digitais

    Apresentação

    O Pimentalab é um laboratório de práticas sociais que objetiva integrar experiências de ensino, pesquisa e extensão. Atuamos em questões relacionadas à crescente mediação das tecnologias digitais na vida social, tendo em vista as transformações nos processos de produção de conhecimentos e nas dinâmicas sociopolíticas.

    Ao promover usos alternativos das tecnologias de informação, investigamos como os processos sociais adquirem configurações específicas através das mediações técnicas, observando tanto as dinâmicas micropolíticas e os modos de subjetivação como as inter-relações com o contexto sociopolítico mais amplo.

    Em nossas atividades a utilização das tecnologias de informação está orientada por uma concepção de apropriação tecnológica em que os sujeitos são provocados a reconhecer as dimensões sociopolíticas inscritas nesses dispositivos, incentivando-os à uma utilização criativa que supera, portanto, o uso meramente instrumental desses recursos. Ao combinar diferentes suportes e linguagens na realização do projeto, em especial a fotografia, vídeo, texto e a cartografia, tanto na web como em dispositivos móveis, pretendemos dinamizar formas de conhecimento e expressão em que os saberes estéticos-sensíveis cotidianos articulam-se aos saberes teóricos-abstratos. Tal abertura é fundamental para que possamos reconhecer e dar existência tangível a novos conhecimentos e práticas sociais locais.

    Para isso, o projeto realiza diversas atividades (oficinas, eventos, pesquisas) de experimentação e difusão de tecnologias digitais. Em suma, trata-se de desenvolver experiências em que possamos investigar as transformações na relação saber-poder em contextos específicos, tendo como vetor de análise a mediação sociotécnica em sua dupla dimensão tecnopolítica e tecnoestética.

    Instruções – edital completo Edital-Selecao-Alunos-ProExt-2014:

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