Premissas sobre educação:
Muros das escolas E.M.E.F Almirante Pedro de Frontin em São Miguel Paulista, São Paulo e E.E. Profª Maria Aparecida Félix Porto no bairro dos Pimentas, Guarulhos

Premissas sobre educação:
Muros das escolas E.M.E.F Almirante Pedro de Frontin em São Miguel Paulista, São Paulo e E.E. Profª Maria Aparecida Félix Porto no bairro dos Pimentas, Guarulhos


Patativa do Assaré
Poetas niversitário,
Poetas de Cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia;
Se a gente canta o que pensa,
Eu quero pedir licença,
Pois mesmo sem português
Neste livrinho apresento
O prazê e o sofrimento
De um poeta camponês.
Eu nasci aqui no mato,
Vivi sempre a trabaiá,
Neste meu pobre recato,
Eu não pude estudá
No verdô de minha idade,
Só tive a felicidade
De dá um pequeno insaio
In dois livro do iscritô,
O famoso professô
Filisberto de Carvaio.
No premêro livro havia
Belas figuras na capa,
E no começo se lia:
A pá — O dedo do Papa,
Papa, pia, dedo, dado,
Pua, o pote de melado,
Dá-me o dado, a fera é má
E tantas coisa bonita,
Qui o meu coração parpita
Quando eu pego a rescordá.
Foi os livro de valô
Mais maió que vi no mundo,
Apenas daquele autô
Li o premêro e o segundo;
Mas, porém, esta leitura,
Me tirô da treva escura,
Mostrando o caminho certo,
Bastante me protegeu;
Eu juro que Jesus deu
Sarvação a Filisberto.
Depois que os dois livro eu li,
Fiquei me sintindo bem,
E ôtras coisinha aprendi
Sem tê lição de ninguém.
Na minha pobre linguage,
A minha lira servage
Canto o que minha arma sente
E o meu coração incerra,
As coisa de minha terra
E a vida de minha gente.
Poeta niversitaro,
Poeta de cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia,
Tarvez este meu livrinho
Não vá recebê carinho,
Nem lugio e nem istima,
Mas garanto sê fié
E não istruí papé
Com poesia sem rima.
Cheio de rima e sintindo
Quero iscrevê meu volume,
Pra não ficá parecido
Com a fulô sem perfume;
A poesia sem rima,
Bastante me disanima
E alegria não me dá;
Não tem sabô a leitura,
Parece uma noite iscura
Sem istrela e sem luá.
Se um dotô me perguntá
Se o verso sem rima presta,
Calado eu não vou ficá,
A minha resposta é esta:
— Sem a rima, a poesia
Perde arguma simpatia
E uma parte do primô;
Não merece munta parma,
É como o corpo sem arma
E o coração sem amô.
Meu caro amigo poeta,
Qui faz poesia branca,
Não me chame de pateta
Por esta opinião franca.
Nasci entre a natureza,
Sempre adorando as beleza
Das obra do Criadô,
Uvindo o vento na serva
E vendo no campo a reva
Pintadinha de fulô.
Sou um caboco rocêro,
Sem letra e sem istrução;
O meu verso tem o chêro
Da poêra do sertão;
Vivo nesta solidade
Bem destante da cidade
Onde a ciença guverna.
Tudo meu é naturá,
Não sou capaz de gostá
Da poesia moderna.
Deste jeito Deus me quis
E assim eu me sinto bem;
Me considero feliz
Sem nunca invejá quem tem
Profundo conhecimento.
Ou ligêro como o vento
Ou divagá como a lesma,
Tudo sofre a mesma prova,
Vai batê na fria cova;
Esta vida é sempre a mesma.

Poeira subindo às narinas do povo, nas roupas da tia,
nos livros da biblio, nos móveis de todos…
Trabalho frenético dos homens, carros, tratores…
Um sobe e desce que não tem fim.
Só um ponto final na hora da entrega das chaves
das residências em fase de acabamento…
O Pimentas está avançando para os lados,
para cima, para baixo, para todos os lugares…
é poeira que não acaba….
Somente quando a chuva chegar…..
aí o barro toma conta….

As aranhas não tecem suas teias
Por loucura ou por paixão
Se o sangue ainda corre nas veias
é por pura falta de opção (…)
Você sabe
O que eu quero dizer não tá escrito nos outdoors
Por mais que a gente grite
O silêncio é sempre maior
além dos outdoors – humberto gessinger

Em minha trajetória de oito termos, duas greves e quase cinco anos, permaneceu lindo e imutável o céu do Pimentas.

A fotografia me permite escrever MAGICAMENTE No céu.
-trecho do (ótimo) livro Fahrenheit 451 de Ray Bradbury.


Retorno do trabalho após uma longa terça-feira. Na estrada, de carona com outros professores, os olhos cansados, o corpo frágil, o pensamento desatento.

atenção, imagens fortes!
galinhas bicam pássaro vivo, ainda ofegante..
galinhas, que des(h)umanas galinhas..

Esse “Caminho Velho” ficará na memória?
Nas incongruências que existem agora?
Ou nas histórias de lutas da aurora….
Na rua, no campus, nas aulas de história?
Sabemos que tudo tem um tempo…
Respeitemos esse momento
Seguimos no compasso
Calejados mas atentos…
Queremos o Caminho Velho!
Depois que a obra se findar….
Voltaremos, voltaremos, voltaremos….
T.Q.
Sobre as imagens que estão começando a surgir no site: https://extensao.milharal.org/category/pesquisa-de-campo/fotografia/
Uma das questões que tem movimentado meu pensamento em minha prática como professor na universidade, é de que forma podemos apreender e captar os saberes e a novidade trazida por cada aluno. A universidade, como toda instituição, é um universo cheio de códigos próprios. Nela, algumas formas de enunciação, suas linguagens e formas de pensamento são mais incentivadas e reconhecidas do que outras. Cada instituição é marcada por formas próprias de comunicação. Em se tratando de uma instituição voltada para a promoção do conhecimento, a criação de mecanismos que permitam o encontro entre diferentes saberes e formas de expressão com aqueles conhecimentos que gozam de maior centralidade na instituição, pode contribuir para o surgimento de uma ecologia mais diversa. A possibilidade de inovação e ação criativa no interior de qualquer instituição depende de uma capacidade de relacionar suas dinâmicas internas com o meio externo. Por vezes, tenho a impressão que a não-abertura para outras formas expressivas no trabalho com os estudantes gera epistemicídios – a perda/morte de outros saberes (expressão do Boaventura de S.Santos). Como acolher outros saberes que são frequentemente silenciados pelos códigos dominantes no interior de uma instituição? Como proporcionar um encontro positivo entre esses diferentes saberes de maneira a criar novos conhecimentos, tanto acadêmicos quanto existenciais? As imagens que vocês estão começando a produzir estão dando novas pistas, rastros de novos caminhos a serem investigados.

Pimentas, noite e dia.
Sempre que olho pela janela imagino uma pintura. Essa última, um rabisco de giz.
Edição feita no GIMP – Tutorial

São paulo tem de tudo: feijoada vegana as 4 da manhã; Psicologo que atropela ciclista e joga o braço decepado no rio; skinhead mestiço; time de futebol anarquista …
Tem de tudo, basta procurar.
Obs: apanhei pra tirar essa foto. obturador, iso, abertura …

Onde começa a faculdade
Foto da fila para a ponte orca em Itaquera.
Pensando um pouco sobre onde começa a faculdade, se no caminho ou no portão..

Estranha a sensação ao andar nas ruas do Bairro Pimentas e perceber que de um lado está um ponto de ônibus novo em folha, e bem a sua frente existe outro ponto totalmente deteriorado…
Por que isso acontece? Sinceramente, não sei. O que sei é que a visão é até um pouco surreal. Esses pontos de ônibus ficam na rua do Supermercado Nagumo.
Ao mesmo tempo que o bairro cresce. Há um atraso em resolver problemas simples. Onde, nesse caso, era somente pintar o ponto, ou trocar de vez! Como fizeram com o mais novo.
A “burrocracia” incomoda a tod@s… E parece que em todas as cidades existem esse atraso em resolver alguns problemas de interesse público.
T.Q.

O sol se põe no circo do Pimentas
Há alguns dias fiz essa foto depois de sair da aula. Tinha em mente nossa discussão sobre a saída fotográfica e tentava identificar a delicadeza presente nos detalhes que com a camera, por vezes, me escapam.
O dia terminava, o sol se despedia e o circo chegava deixando no céu um bonito colorido.