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  • Razões para usar o Open Street Map

    Razões para usar o Open Street Map

    Toda vez que eu falo para alguém sobre o OpenStreetMap, a pessoa inevitavelmente me pergunta: “Por que não usar o Google Maps?” De um ponto de vista prático, é uma pergunta compreensível, mas, em última análise, não é uma questão de praticidade, mas da reflexão sobre o tipo de sociedade na qual nós queremos viver. Eu discuti este assunto numa palestra que dei em 2008, no primeiro encontro MappingDC. Aqui estão muitos daqueles conceitos, mas expandidos.

    No começo do século XIX, as pessoas tinham problemas com o tempo. Não com a falta de tempo: a questão era saber que horas eram, mesmo. Os relógios existiam, mas cada cidade ou vila tinha sua própria hora, “a hora local”, que era sincronizada pelos relógios da cidade ou, mais frequentemente, pelos sinos das igrejas. Aos poucos, a hora da ferrovia e, então, a Hora Média de Greenwich suplantaram completamente a hora local, e a maioria das pessoas, hoje, sempre pensa nas horas como universais. Isto se deu, nos EUA, pela adoção pelas estradas de ferro e, depois, das universidades e grandes negócios.

    O dilema dos tempos modernos é a geografia e todos estão procurando pela fonte definitiva. O Google gasta, anualmente, US$1 bilhão para manter seus mapas, e isto não inclui o US$1,5 bilhão gasto na compra do Waze. O Google está longe de ser a única empresa tentando ser dona de todos os lugares: a Nokia comprou a Navtek, e a TomTom e a Tele Atlas se fundiram. Todas essas empresas querem se tornar a fonte definitiva para mostrar aquilo que está na face da Terra.

    Porque saber o que está nos territórios se tornou um grande negócio. Com GPS em todos os carros e um smartphone no bolso de cada uma das pessoas, o mercado de mostrar onde você está e aonde ir se tornou uma disputa feroz.

    Com todas estas empresas disputando o nicho, por que precisamos de um projeto como o OpenStreetMap? A resposta é simples: na sociedade, nenhuma empresa deve ter o monopólio dos lugares, assim como nenhuma empresa tinha o monopólio das horas no começo do século XIX. Os lugares são recursos compartilhados, e quando você dá todo esse poder a uma única instituição, ela pode não só mostrar a sua localização, mas formatá-la também. Em resumo, há três preocupações: quem decide o que aparece ou não nos mapas, quem mostra onde você está e aonde você deve ir e a privacidade pessoal.

    Quem decide o que aparece no Google Maps? A resposta é, obviamente, o Google. Eu ouvi esta preocupação num encontro com um governo local em 2009 — eles estavam preocupados por usar o Google Maps no seu site porque o Google escolhe que estabelecimentos mostrar. Eles estavam certos em se preocupar com esta questão, já que o governo precisa se manter imparcial e, usando mapas de outros, eles entregam o controle disso a terceiros.

    Parece inevitável que o Google monetize buscas geográficas, seja com resultados premium ou alterando a ordem das prioridades, se é que eles já não fazem isso (por exemplo: é apenas uma coincidência eu procurar por “café da manhã” perto de casa e o primeiro resultado ser “lanchonetes SUBWAY®”?).

    A segunda preocupação é sobre a localização. Quem define onde um bairro fica ou onde você deve ou não ir. Esta questão foi levantada pela ACLU, apontando um provedor de mapas que dava rotas (instruções para quem estava dirigindo/andando/pedalando) e usava, como parte do algoritmo, o que eles determinaram ser bairros seguros ou perigosos. Isto traz uma questão: quem determina o que torna um lugar seguro ou não? Além disso, seguro pode ser apenas uma palavra-chave para algo mais sinistro.

    Agora mesmo, o Flickr está coletando informações sobre bairros, baseadas em fotos analisadas através de uma API. Eles usam estas informações para sugerir tags para suas fotografias, mas é possível alterar informações de limites de um bairro de um jeito sutil para afetar qualquer coisa, de padrões de trânsito a preços de aluguel. E quando um provedor de mapas se torna grande demais, ele vira a fonte da “verdade”.

    Por fim, estes provedores de mapas têm um incentivo para coletar informações sobre você de maneiras que você pode não concordar. Tanto Google quanto Apple coletam informações sobre sua localização quando você usa os serviços deles. Isto pode ser usado para melhorar a precisão dos mapas, mas o Google já anunciou que vai monitorar a correlação entre buscas e lugares onde você vai. Como mais de 500 milhões de smartphones Android, essa é uma enorme quantidade de informação individual sobre os hábitos das pessoas, estejam elas dando uma voltinha, no caminho para o trabalho, indo ao médico ou talvez comparecendo a uma manifestação. Nós não podemos ignorar as implicações sociais de tantos dados nas mãos de uma única entidade, não importa o quão benevolente ela diga ser. Empresas como o Foursquare usam ludificação (também conhecida como gamificação, nome dado à prática de usar mecânicas de games em coisas que não são exatamente games) para encobrir o que é essencialmente um processo de coleta de dados em larga escala. O Google decidiu entrar jogo com o Ingress, um game que sobrepõe um mundo artificial sobre o mundo real e encoraja usuários a reunir dados de rotas e fotografias em mapas para lutar contra ou ajudar uma invasão alien.

    Agora que identificamos os problemas, vamos examinar como o OpenStreetMap resolve cada um deles.

    Em termos de conteúdo, o OpenStreetMap é neutro e transparente. Ele é um mapa wiki que qualquer um pode editar. Se está faltando uma loja no mapa, ela pode ser adicionada, seja pelo dono ou até mesmo por um consumidor. Em termos de exibição (renderização), cada pessoa ou empresa que cria um mapa está livre para renderizar como quiser, mas o mapa principal do OpenStreetMap.org usa software FLOSS (Free/Libre Open Source Software, que quer dizer “software livre e de código aberto”) para renderização e qualquer um pode utilizá-lo. Em outras palavras, quem estiver interessado pode criar seus próprios mapas usando os dados já existentes.

    Da mesma maneira, os apps de rotas mais populares para o OpenStreetMap também são FLOSS e, mesmo que uma empresa escolha um software de outro tipo, o usuário está sempre livre para usar o que quiser, e seria fácil comparar os resultados de trajetos para encontrar anomalias.

    Por fim, com os dados do OpenStreetMap, um usuário está livre para baixar alguns ou até mesmo todos os mapas. Isto significa que é possível usar os dados sem estar conectado nem precisar dar sua localização para ninguém.

    O OpenStreetMap respeita a comunidade e respeita as pessoas. Se você ainda não é um colaborador, considere contribuir. Se você já contribui, muito obrigado.

     

    Este artigo foi originalmente publicado no blog de Serge Wroclawski, e reproduzido aqui sob licença Creative Commons. Você pode segui-lo no Twitter @emacsen.

    Utilizamos a tradução feita pelo http://gizmodo.uol.com.br/analise-openstreetmap/

    Aqui você aprende a usar o Open Street Map Tracker para Android https://extensao.milharal.org/2013/03/21/tutorial-registro-do-percurso-com-gps-como-usar-openstreetmap-tracker-para-android/

  • Oficina com professores de Sociologia de Guarulhos

    Oficina com professores de Sociologia de Guarulhos

    A importância do tema

    A oficina “Comunicação” foi uma tentativa de interação e promoção da sensibilidade dos professores da rede pública de Guarulhos para usos alternativos das tecnologias da informação através da realização de experiências de campo, registro multimídia, sistematização e publicação online, mobilizando principalmente outras linguagens além da escrita (fotografia, audiovisual, cartografia).

    A proposta foi promover uma experiência com os docentes que aguçasse a percepção para determinadas práticas, discussões e problemas relacionados ao uso das tecnologias digitais e sua relação com a vida cotidiana e o ensino de sociologia, tais como: as formas como as paisagens midiáticas se apresentam na cidade; como se coloca o direito à comunicação em nosso cotidiano; a relação entre ciberespaço e territórios materiais; e como as tecnologias modificam nossas formas de acesso à informação, comunicação e organização social.

    Para que serve?

    1. Desenvolvimento e difusão junto aos participantes, de novas habilidades direcionadas à apropriação tecnológica que permitam uma utilização alternativa dos dispositivos de comunicação digital;
    2. Produzir novos conhecimentos sobre os processos sócio-organizacionais numa  determinada região e sua relação com a dinâmica comunicacional. Quais as  mudanças na ecologia comunicacional de uma determinada região? Como ela se  relaciona ao direito à comunicação, às formas de acesso, regime de  propriedade e práticas de uso das tecnologias de informação?;
    3. Desenvolvimento e difusão de metodologias sócio-culturais de produção colaborativa de conhecimentos através de TICs voltadas à pesquisa social aplicada.

    Oficina

    A oficina foi programada para ser realizada em dois dias (29/08 e 05/09) com intervalo de uma semana para dar tempo de organizar o material produzido no primeiro dia.

    1º dia de Oficina

    No primeiro dia da oficina após a chegada e apresentação de todos os participantes foi criado um pad coletivo, onde os professores colocaram seus nomes, emails e apresentaram algum blog que já possuíam, após esse momento, foi feita a apresentação dos objetivos da Oficina, introduzindo algumas questões sobre comunicação, tecnologias e sociedade. Logo após foram apresentados outros trabalhos do Pimentalab e seguiram algumas ações planejadas para a Oficina como a criação de listas de discussões e a ferramenta para criação de questionário do Google Docs, onde os professores responderam um questionário sobre Modos de Uso da Internet.

    Após um intervalo, foi iniciada uma breve discussão sobre “Comunicação”, buscando refletir sobre as concepções que giram em torno do tema, suas formas, acesso, seu papel em nossa vida cotidiana, etc.

    CIMG6725_pqnOs professores foram então divididos em dois grupo para que seguíssemos para a atividade em campo, observando como as questões discutidas apareciam no bairro

     

    Confira abaixo o relato do percurso dos dois grupos:

    •  Relato grupo 1 (lan house/telecentro)

    O primeiro grupo ficou de fazer um percurso até a “Lan WEB” e depois voltar ao Telecentro localizado no CEU-Pimentas. Pelo trajeto os(as) professores(as) se depararam com a comunicação nas suas mais diversas expressões: o Palhaço Abobrinha, que usa o facebook para divulgar seu trabalho; a Banca “Deus é Fiel” do vendedor de panelas e seu rádio usb; a Banca de Jornal que não costuma atrair muitos jovens e também aproveitaram para entrevistar alguns senhores que encontraram pelo caminho a fim de perceber como a comunicação se alterou ao longo do história.

    Ao chegar no primeiro destino, a Lan House, tivemos a oportunidade de entrevistar tanto o funcionário quanto uma usuária a respeito dos meios de comunicação mais utilizados naquele estabelecimento.  Após as entrevistas na Lan House, que confirmaram um “prognóstico” sobre os modos de uso da comunicação na internet (facebook), voltamos para o CEU-Pimentas a fim de entrevistar usuários(as) e os monitores do Telecentro Tecnologia Cidadã, da prefeitura de Guarulhos.

    Embora seja considerado um espaço que visa não só o acesso indiscriminado da internet, mas também um espaço de formação e orientação pedagógica, as entrevistas trouxeram à tona um modo de uso bem próximo ao da Lan House.

    Entrevistas:
    Lan House – https://soundcloud.com/pimentalab/sets/entrevistas-oficina-pimentalab
    Telecentro – https://soundcloud.com/pimentalab/sets/oficina-pimentalab-telecentro

    • Relato grupo 2 (Hospital e Centro de referência DSTs)
    trajeto_saudetrajeto realizado pelo grupo 2 (visualizado no Google Maps)

    O segundo grupo fez um percurso em direção ao centro de referência em DSTs/Aids do Parque Jurema, no caminho passamos pelo Hospital Municipal Pimentas-Bonsucesso, onde os professores observaram o local e abordaram algumas pessoas, levantando questões consideradas relevantes para o grupo como a presença e visibilidade da UNIFESP no bairro, por exemplo. Passamos também por duas escolas públicas onde os professores observaram os muros das escolas e o que eles comunicavam. Chegando no Centro de Saúde – SAE Carlos Cruz, fomos recebidos pela psicóloga responsável pelo Centro. Ela nos falou sobre as formas de comunicação com a população local estabelecidas pelo centro e o posicionamento da prefeitura em relação a essas ações, assim como alguns obstáculos enfrentados nesse processo. Os professores levantaram questões e observaram o local. O registro do encontro  se deu pela captura de áudio e fotografias.  No retorno passamos por uma Lan House localizada na Av. Jurema e retornamos para nos encontrarmos com o outro grupo. Durante todo o trajeto, os professores registraram com fotografias as formas de comunicação mais relevantes que perceberam no bairro como os carros de som, lambe-lambe, grafite e faixas.

    2º dia de Oficina

    Já o segundo dia da Oficina teve início com uma conversa sobre os possíveis desdobramentos da primeira parte da Oficina no cotidiano dos professores. As questões centrais foram retomadas como: O que é comunicação? Como a cidade se comunica? E o que podemos aprender de maneira sensível, olhando, ouvindo ou caminhando pelo bairro, pela cidade.

    O material produzido na saída de campo foi analisado, observando e discutindo sobre as fotografias, mapas e áudio coletados.

    Na segunda parte do dia houve uma breve discussão a respeito das mídias livres, com a apresentação de um vídeo sobre rádio livre, produzido por colegas da universidade, entre eles uma das alunas integrantes do Pimentalab. Também foi discutido a importância da utilização de softwares livre, compreendendo que a utilização dos mesmos traz consigo um posicionamento político, uma vez que priorizam a liberdade do usuário e possibilitam uma cooperação livre, sem permissões, dos usuários e desenvolvedores.

    Blog – Sociologia Global

    Na construção do blog o primeiro passo foi escolher um nome, que deveria fazer sentido para o trabalho realizado, ao mesmo tempo que não restringisse possibilidades futuras de uso. Decidimos então que seriam produzidos dois posts, sobre as experiências dos dois grupos durante o trabalho de campo realizado no primeiro encontro. Os professores redigiram textos sobre suas experiências e reflexões e escolheram as imagens que acompanharam os posts.

    Após  isso, os professores colocaram a “mão na massa” para a construção do  blog com os materiais produzidos durante a oficina. Nesse processo eles tiveram contato com os processos para subir fotos e textos para um blog além de participar ativamente na escolha do template. Também foram apresentados à edição de imagens, áudio e mapas.

    blog_professoresblog criado pelos(as) professores(as) no wordpress

    Tutoriais produzidos a partir da oficina:

    Relatos da Oficina

    Racin – https://extensao.milharal.org/2013/10/19/rlato-oficina-professores-racin/
    Marcella – https://extensao.milharal.org/2013/11/09/relato-oficina-professores-marcella/
    Aymbere – https://extensao.milharal.org/2013/11/10/relato-oficina-professores-aymbere/
    Juliana – https://extensao.milharal.org/2013/11/10/relato-oficina-professores-juliana/
    Profª Aureni – https://extensao.milharal.org/2013/11/10/relato-oficina-professores-prof-aureni-2/
    Profº Ricardo – https://extensao.milharal.org/2013/11/10/relato-oficina-professores-prof-ricardo/
    Profª Maria José – https://extensao.milharal.org/2013/11/10/relato-oficina-professores-prof-maria-jose/

    Roteiros da Oficina

    https://extensao.milharal.org/2013/11/11/roteiros-oficina-professores/

    Making-off da Oficina

    https://extensao.milharal.org/2013/12/04/fotos-oficina-para-professores-de-sociologia/

    Categorias:extensão: foi a primeira categoria (é a padrão), não pode ser excluída. Dá pra fazer uma gambiarra e colocar outro nome. Tirei todas as postagens dessa categoria.
    gestão do projeto: selecionei os posts referentes a essa categoria
    mapeamento: inicialmente era uma categoria para fazer o mapeamento de agentes e público interessado no pimentas. Como o xará disse, está bem confuso, pois há também mapeamento relativo as ferramentas de geoprocessamento. Sugiro criar uma categoria “cartografia” e separar o conteúdo tipo: postagens relativas ao público interessado, pimentas e região em “mapeamento”; mapas, cartografia, gps etc em “cartografia”
    oficinas fiz as sugestões do aymbere. Sub-categoria “roteiros”. Deixei “tutorial” separado, pois nem todos tutoriais vem das oficinas.

    Páginas:

    Criar Agenda via Calendário de Movimentos Sociais e inserir código html na página (ver rizoma.milharal)